terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Três Gerações e um bairro




Pessoas que nasceram, 
Gerações que formaram,
Vivências diversas,
Num bairro firmaram


Olhares diferentes,

Tempos diferentes,
Contextos diferentes,
Passagens diferentes,
Mesmo bairro



Tempo, tempo, tempo,
Tempo que traz,
Tempo que constrói,
Tempo que aviva,
Tempo que dói

Tempo saudoso,
Tempo doloroso,
Tempo audacioso,
Tempo temido,
Tempo almejado,
Tempo despido



O tempo é um, dois, três,
O tempo, os tempos,
O presente, o futuro, o passado,
Três gerações num mesmo bairro


Autora: Rafaela Freitas Silva

De cara com a história

ENTREVISTA 1

Nome: Renildes Souza de Freitas
Idade: 75 anos


Entrevistadora: Há quanto tempo, mora no bairro da Fazenda Grande do Retiro?
D. Renildes: Há mais de 50 anos.

Entrevistadora: O que mais chamou a sua atenção, logo quando se mudou para o bairro?
D. Renildes: Na época, os homens que levavam os bois para o matadouro que existia no Retiro. Eram chamados de "Magarefe".

Entrevistadora: Como eram as ruas da Fazenda Grande do Retiro?
D. Renildes: Era de barro e passava boiadas.
Tinha uma rua chamada Pitangueiras, pois tinha muitos pés de pitanga. A granja Tupi, onde fazia criatório de galinhas.

Entrevistadora: Quais lembranças são bem vivas do bairro?
D. Renildes: Lembro-me das boiadas, antes de asfaltar as ruas.

Entrevistadora: Existiam pessoas "símbolos"/"referências" no bairro?
D. Renildes: Sr. Dantas, que tinha uma chácara muito valorizada. Era bastante conhecido por conta da chácara. E um médico, que esqueci o nome, porém tinha uma irmã chamada Rita, que é o nome de uma das minhas filhas.

Entrevistadora: Os matadouros influenciavam muito no bairro? Como?
D. Renildes: Influenciava bastante, pois quando a boiada passava o povo tinha muito medo, pois os bois desviavam e entravam na casa das pessoas. Daí, corriam para fechar as portas.

Entrevistadora: Quais costumes era muito presentes no bairro da Fazenda Grande do Retiro?
D. Renildes: O matadouro.Era o que chamava atenção. E as mulheres que vendiam o fato, montadas em jegues, dentro do canzuá("cestas" que eram colocadas nas laterais dos jegues).

Entrevistadora: A modernização foi benéfica para o bairro, em seu ponto de vista?
D. Renildes: Sim, pois trouxe muito progresso. Tinha o bonde e depois chegou o ônibus, que só haviam duas empresas. Depois, foram chegando outros comércios, como lojas, mercados, açougues.





ENTREVISTA 2

Nome: Rita de Cássia Freitas
Idade: 55 anos


Entrevistadora: Há quanto tempo, mora no bairro da Fazenda Grande do Retiro?
D. Rita: Há 40 anos.

Entrevistadora: O que mais chamou a sua atenção, logo quando se mudou para o bairro?
D. Rita: Eu já nasci, morando no bairro.

Entrevistadora: Como eram as ruas da Fazenda Grande do Retiro?
D. Rita: Fui acompanhando as mudanças do bairro, asfaltamento, instalação de comércios.

Entrevistadora: Quais lembranças são bem vivas do bairro?
D. Rita: A rua não era asfaltada. Quando asfaltou, fiquei muito feliz.

Entrevistadora: Existiam pessoas "símbolos"/"referências" no bairro?
D. Rita: Sim, mas já faleceram. Sr. Dantas, tinha uma chácara. Meu avô, Graciliano Costa Freitas, tinha um pomar, hoje já loteado e que a rua leva o nome dele.

Entrevistadora: Os matadouros influenciavam muito no bairro? Como?
D. Rita: Quando nasci, já não havia mais o matadouro.

Entrevistadora: Quais costumes era muito presentes no bairro da Fazenda Grande do Retiro?
D. Rita: Costume, não lembro de nenhum. Mas, lembro-me de uma festa, chamada "festa do lixo". Era uma maravilha! Porém, um determinado ano, ocorreu uma tragédia e a festa acabou.

Entrevistadora: A modernização foi benéfica para o bairro, em seu ponto de vista?
D. Rita: Sim, bastante. Trouxe muitas coisas boas: mais pessoas, comércios.