quarta-feira, 12 de novembro de 2014

" A Bahia e a Carreira das Índias"

A chamada Carreira da Índia era a ligação marítima anual entre Lisboa e Goa, e vice-versa, pelas " Armadas das Índias ", que se iniciou logo após a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama inaugurar a Rota do CaboEssa ligação perdurou de 1947 até ao advento da navegação a vapor e a abertura do Canal do Suez, no século XIX.
 José Roberto de Amaral Lapa foi professor e pesquisador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP. Dedicou parte de sua vida a recuperação da História do Oeste Paulista, e em particular a de Campinas. Outra porção importante de sua vida esteve voltada para o ensino e pesquisa em história, tendo entre outros méritos o de ter enveredado por uma história critica, social e cultural. A primeira de suas obras a ser publicada foi a Bahia e a Carreira da Índia em 1968, originalmente sua tese de doutorado, orientada pelo professor Sergio Buarque de Holanda.
No livro A Bahia e a Carreira da Índia, José Roberto do Amaral Lapa, vem discutir e demonstrar, de maneira bastante detalhada, a importância que teve o porto de Salvador no processo de roteiro marítimo na Idade Moderna. Tendo esse objetivo como foco, Lapa (1968) utiliza como fontes de estudo crônicas, documentação oficial ou particular (principalmente seitisentista e setesentista) e catálogos. Indo pesquisar em arquivos metropolitanos portugueses e ao que se refere ao Brasil, principalmente, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e no Arquivo Público do Estado da Bahia. Dessa maneira, percebe-se sua preocupação na utilização dos documentos para reconstruir o passado histórico.


Sem desviar, em hipótese alguma, sua atenção sobre o porto de Salvador, o autor minuciosamente destaca a importância deste, como ponto de parada dos navios que se dirigiam ao Oriente a partir do século XVI. Acrescentando que possivelmente partes dessas paradas seriam feitas de formas ilegais. Vindo a mostrar detalhadamente, entre outros aspectos, a serventia daquele porto, graças a seu bom ancoradouro e seu fácil acesso, para abastecimento e refresco dos navios.

Dessa maneira mais uma vez Amaral Lapa (1968 ), em seu livro, enfoca a importância do porto de Salvador, servindo inclusive como disponibilizador de munição e armamentos para as naus da carreira, pois segundo dados, existiam reservas na terra muito maiores que a necessidade real para sua proteção. E em meio a esses fatores se torna presente também as relações humanas, inclusive Salvador contribuiu com a empresa de navegação disponibilizando o efetivo humano e oferecendo a estadia para as embarcações da corrida do oriente, ocorrendo, também, á boa vontade da população em abrigar em suas casas marinheiro enfermos. 

Embasado em fontes oficiais, Amaral Lapa (1968), a partir dessa metodologia nos faz perceber a existência de um comércio ilegal praticado entre a população de Salvador e a tripulação dos navios, sendo o contrabando intensificado a partir do século XVII, tendo várias leis a partir desse século para coibi-lo. Apesar da obvia fiscalização (até mesmo antes dos navios ancorarem no porto e principalmente depois de concretizarem essa
ação), é inegável que, no turno da noite, os contrabandos fossem transferidos através de
canoas e barcos de pesca da terra para os navios.

Não esquecendo, de maneira alguma, as práticas comerciais entre o Brasil e o Oriente e atentando ao problema da baldeação do porto de Salvador, Lapa ( 1968 ), enfatiza outra oportunidade comercial que a carreira ofereceu ao porto de Salvador com a tentativa de negociantes e outros interessados em participar dela. Se destacado as respeitáveis cifras atingidas pelo Brasil na balança comercial da colônia com as mercadorias orientais.
Tendo em vista esses argumentos A Bahia e a Carreira da Índia vem demonstrar, como o próprio autor afirma na conclusão do livro, que o Brasil não permaneceu isolado nem ligado inteiramente a metrópole.

2 comentários:

  1. Gostei muito dos pots, o blog é super interessante. Parabéns! ; )

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  2. Parabéns Rafaela pela construção do seu blog! Muito bom o relato e as entrevistas realizadas sobre o bairro Fazenda Grande, poder acompanhar seu desenvolvimento, e ter acesso as informações de como as coisas se procederam. Observa-se que a construção do mesmo deu-se através de pessoas acolhedoras, que antes de pensar somente em si, pensou no bem estar do próximo quando proporcionou o acolhimento das pessoas do interior. Gostei da estória do açougue!!

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