A chamada Carreira da Índia era a ligação marítima anual entre Lisboa e Goa, e vice-versa, pelas
" Armadas das Índias ", que se iniciou logo após a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama inaugurar a Rota do Cabo. Essa
ligação perdurou de 1947 até ao advento da navegação a vapor e a abertura do Canal do Suez,
no século XIX.
• José Roberto de Amaral Lapa foi professor e pesquisador do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP. Dedicou parte de sua vida a
recuperação da História do Oeste Paulista, e em particular a de Campinas. Outra
porção importante de sua vida esteve voltada para o ensino e pesquisa em história, tendo
entre outros méritos o de ter enveredado por uma história critica, social e cultural.
A primeira de suas obras a ser publicada foi a Bahia e a Carreira da Índia em 1968,
originalmente sua tese de doutorado, orientada pelo professor Sergio Buarque de Holanda.
No livro A Bahia e a Carreira da Índia, José Roberto do
Amaral Lapa, vem discutir e demonstrar, de maneira bastante detalhada, a importância que
teve o porto de Salvador no processo de roteiro marítimo na Idade Moderna. Tendo esse
objetivo como foco, Lapa (1968) utiliza como fontes de estudo crônicas, documentação oficial ou particular (principalmente seitisentista e setesentista) e catálogos. Indo pesquisar em
arquivos metropolitanos portugueses e ao que se refere ao Brasil, principalmente, no
Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e no Arquivo Público do Estado da Bahia. Dessa
maneira, percebe-se sua preocupação na utilização dos documentos para reconstruir o passado
histórico.
Sem desviar, em hipótese alguma, sua atenção sobre o porto
de Salvador, o autor minuciosamente destaca a importância deste, como ponto de
parada dos navios que se dirigiam ao Oriente a partir do século XVI. Acrescentando
que possivelmente partes dessas paradas seriam feitas de formas ilegais. Vindo a mostrar
detalhadamente, entre outros aspectos, a serventia daquele porto, graças a seu bom
ancoradouro e seu fácil acesso, para abastecimento e refresco dos navios.
Dessa maneira mais uma vez Amaral Lapa (1968 ), em seu
livro, enfoca a importância do porto de Salvador, servindo inclusive como
disponibilizador de munição e armamentos para as naus da carreira, pois segundo dados, existiam
reservas na terra muito maiores que a necessidade real para sua proteção. E em meio a esses
fatores se torna presente também as relações humanas, inclusive Salvador contribuiu com a
empresa de navegação disponibilizando o efetivo humano e oferecendo a estadia para as embarcações
da corrida do oriente, ocorrendo, também, á boa vontade da população em abrigar em suas casas
marinheiro enfermos.
Embasado em fontes oficiais, Amaral Lapa (1968), a partir dessa metodologia nos faz perceber a existência de um comércio ilegal praticado entre a população de Salvador e a tripulação dos navios, sendo o contrabando intensificado a partir do século XVII, tendo várias leis a partir desse século para coibi-lo. Apesar da obvia fiscalização (até mesmo antes dos navios ancorarem no porto e principalmente depois de concretizarem essa
ação), é inegável que, no turno da noite, os contrabandos
fossem transferidos através de
canoas e barcos de pesca da terra para os navios.
Não esquecendo, de maneira alguma, as práticas comerciais
entre o Brasil e o Oriente e atentando ao problema da baldeação do porto de Salvador,
Lapa ( 1968 ), enfatiza outra oportunidade comercial que a carreira ofereceu ao porto de
Salvador com a tentativa de negociantes e outros interessados em participar dela. Se
destacado as respeitáveis cifras atingidas pelo Brasil na balança comercial da colônia com as
mercadorias orientais.
Tendo em vista esses argumentos A Bahia e a Carreira da
Índia vem demonstrar, como o próprio autor afirma na conclusão do livro, que o Brasil
não permaneceu isolado nem ligado inteiramente a metrópole.
Gostei muito dos pots, o blog é super interessante. Parabéns! ; )
ResponderExcluirParabéns Rafaela pela construção do seu blog! Muito bom o relato e as entrevistas realizadas sobre o bairro Fazenda Grande, poder acompanhar seu desenvolvimento, e ter acesso as informações de como as coisas se procederam. Observa-se que a construção do mesmo deu-se através de pessoas acolhedoras, que antes de pensar somente em si, pensou no bem estar do próximo quando proporcionou o acolhimento das pessoas do interior. Gostei da estória do açougue!!
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